Egoísmo meu?

Por quanto tempo eu ainda vou viver? Por quanto tempo eu ainda vou aguentar esse cansaço, essa dor? Eu sou obrigada a continuar?

Estou cansada de continuar, preciso de um pouco de paz. Se meu corpo não tiver paz, minha alma não terá. Tudo doera em conjunto, dia após dia. Esses machucados invisíveis me destroem.


Mesmo nas manhãs calmas, a fresta de sol quente e acolhedor que vem da minha janela e toca suave os meus pés não é o suficiente para que eu sorria ao acordar. Cansei também de acordar.


Será egoísmo meu querer partir mais cedo ou egoísmo alheio insistir que eu permaneça nesse corpo? Corpo que, aliás, não foi feito para mim. Tento mudá-lo, moldá-lo, torná-lo compatível com aquilo que sou, mas ele apenas se desgasta revidando minhas atitudes desesperadas, tentando manter-se corpo vivo, biologicamente ativo.

Impulsivo, este corpo é também paradoxal:

Num dia recusa alimento, no outro tudo deseja.
Num dia recusa a mover-se, no outro não para.
Num dia dói, no outro também.

Não, esse corpo não é meu, eu não o quero. Posso trocá-lo? Modificá-lo não é o suficiente, ele não aguentará os mesmos que limites que tem a minha vaidade, a minha dedicação. Minha alma não cabe nele. Eu não caibo.

Este corpo não é o meu lugar. Esse corpo é prisão. Estou sufocando.

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Unlovely

Quando eu tinha 6 anos de idade, minha mãe não tinha coragem de me ver nua. Ela tinha medo/pena/pesar de olhar para os meus 12kg. Ela achou que eu pudesse partir: inocente, vazia e faminta.

Eu a vi chorar e seus olhos diziam adeus. Minha comida tinha gosto lágrimas e seu efeito era a dor. Eu estava pronta para voar, porém assustada demais para seguir em frente. Eu queria ditar as regras, comandar o jogo e perde-lo. Eu queria recomeçar com colo quente e amor preenchendo minhas veias. Eu queria retroceder até renascer.

Porém eu sobrevivi: cresci.

Visões distorcidas e vícios invencíveis suprem minhas necessidades autodestrutivas. Tudo o que me leva ao fim, é um início.