Notas de Dias Confusos

Eu não me lembro muito bem dos últimos dias, foi tudo tão confuso e as minhas canetas estão sem tampa. Tem pacotes de comida vazios pelo chão e as minhas cobertas estão todas bagunçadas. Acho que choveu durante a noite pois o chão próximo a janela está molhado.
Ainda ontem, antes dos comprimidos para dormir, era segunda-feira. Não entendo como o jornal e os sites da internet insistem em dizer que nós já estamos na sexta.

Também estou com algumas marca roxas pelo meu corpo e o joelho esquerdo dói. Pelo que percebi, atendi algumas ligações durante a madrugada, mas não me recordo muito bem. Gostaria de saber o que eu disse ou o que me disseram para que eu descesse da janela do 8 andar. Será que eu iria mesmo pular?
O bilhete ao lado da cama diz: “são 5 passos até o fim”.
Acho que faltou um só e isso me assusta.

Estou com tanto medo.

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Ninguém ouve

Por quanto tempo é necessário fingir que está bem para isso se tornar verdade? Realmente acontece?

Eu tomo banhos demorados enquanto a minha mente corre contra o tempo. Há certa urgência em tudo o que penso e sinto e preciso me controlar para que o caos não tome conta de mim. Já aconteceu tantas vezes…

Anotações rápidas brotam na tela do meu computador e não me dou ao trabalho de verificar o quão coerentes elas são. Sentimentos não precisam de lógica.

Bruscamente os sons típicos da madrugada se infiltram no meu quarto, tento ignorá-los e isso apenas os torna mais altos. Geralmente não os ouço,  mas hoje eles me incomodam.

Quero silenciar o que há ao meu redor porque não consigo silenciar a minha mente.

Tudo grita. Eu grito.
Ninguém ouve.