Egoísmo meu?

Por quanto tempo eu ainda vou viver? Por quanto tempo eu ainda vou aguentar esse cansaço, essa dor? Eu sou obrigada a continuar?

Estou cansada de continuar, preciso de um pouco de paz. Se meu corpo não tiver paz, minha alma não terá. Tudo doera em conjunto, dia após dia. Esses machucados invisíveis me destroem.


Mesmo nas manhãs calmas, a fresta de sol quente e acolhedor que vem da minha janela e toca suave os meus pés não é o suficiente para que eu sorria ao acordar. Cansei também de acordar.


Será egoísmo meu querer partir mais cedo ou egoísmo alheio insistir que eu permaneça nesse corpo? Corpo que, aliás, não foi feito para mim. Tento mudá-lo, moldá-lo, torná-lo compatível com aquilo que sou, mas ele apenas se desgasta revidando minhas atitudes desesperadas, tentando manter-se corpo vivo, biologicamente ativo.

Impulsivo, este corpo é também paradoxal:

Num dia recusa alimento, no outro tudo deseja.
Num dia recusa a mover-se, no outro não para.
Num dia dói, no outro também.

Não, esse corpo não é meu, eu não o quero. Posso trocá-lo? Modificá-lo não é o suficiente, ele não aguentará os mesmos que limites que tem a minha vaidade, a minha dedicação. Minha alma não cabe nele. Eu não caibo.

Este corpo não é o meu lugar. Esse corpo é prisão. Estou sufocando.

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Notas de Dias Confusos

Eu não me lembro muito bem dos últimos dias, foi tudo tão confuso e as minhas canetas estão sem tampa. Tem pacotes de comida vazios pelo chão e as minhas cobertas estão todas bagunçadas. Acho que choveu durante a noite pois o chão próximo a janela está molhado.
Ainda ontem, antes dos comprimidos para dormir, era segunda-feira. Não entendo como o jornal e os sites da internet insistem em dizer que nós já estamos na sexta.

Também estou com algumas marca roxas pelo meu corpo e o joelho esquerdo dói. Pelo que percebi, atendi algumas ligações durante a madrugada, mas não me recordo muito bem. Gostaria de saber o que eu disse ou o que me disseram para que eu descesse da janela do 8 andar. Será que eu iria mesmo pular?
O bilhete ao lado da cama diz: “são 5 passos até o fim”.
Acho que faltou um só e isso me assusta.

Estou com tanto medo.

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Ninguém ouve

Por quanto tempo é necessário fingir que está bem para isso se tornar verdade? Realmente acontece?

Eu tomo banhos demorados enquanto a minha mente corre contra o tempo. Há certa urgência em tudo o que penso e sinto e preciso me controlar para que o caos não tome conta de mim. Já aconteceu tantas vezes…

Anotações rápidas brotam na tela do meu computador e não me dou ao trabalho de verificar o quão coerentes elas são. Sentimentos não precisam de lógica.

Bruscamente os sons típicos da madrugada se infiltram no meu quarto, tento ignorá-los e isso apenas os torna mais altos. Geralmente não os ouço,  mas hoje eles me incomodam.

Quero silenciar o que há ao meu redor porque não consigo silenciar a minha mente.

Tudo grita. Eu grito.
Ninguém ouve.