Ensaios de outras vidas

Eu posso te ver e gritar o teu nome, mas é o silêncio que domina o ambiente. Minha voz é muda perante os teus ouvidos. Meu corpo é invisível perante os teus olhos. Meus escritos são breves notas que não passam pelas tuas mãos.
Eu vago no tempo ao redor de ti, em espiral.
Te encontrei num nada azul. Giramos, giramos, gritamos. Para onde vamos?
Você foi.
Cartas e devaneios, quase memórias. O que aconteceu naquele tarde? Ou era noite? Talvez fosse julho. Você partiu e as memórias se despedaçaram.
Não sou quem fui, não sei quem sou.
Preciso juntar os pedaços para preencher os espaços, lacunas de vidas.
Um punhado de incertezas toma conta e talvez eu esteja misturando a realidade com a fantasia. Nós enlouquecemos?

Anúncios

Ninguém ouve

Por quanto tempo é necessário fingir que está bem para isso se tornar verdade? Realmente acontece?

Eu tomo banhos demorados enquanto a minha mente corre contra o tempo. Há certa urgência em tudo o que penso e sinto e preciso me controlar para que o caos não tome conta de mim. Já aconteceu tantas vezes…

Anotações rápidas brotam na tela do meu computador e não me dou ao trabalho de verificar o quão coerentes elas são. Sentimentos não precisam de lógica.

Bruscamente os sons típicos da madrugada se infiltram no meu quarto, tento ignorá-los e isso apenas os torna mais altos. Geralmente não os ouço,  mas hoje eles me incomodam.

Quero silenciar o que há ao meu redor porque não consigo silenciar a minha mente.

Tudo grita. Eu grito.
Ninguém ouve.