Descrição da ansiedade que me prende

A ansiedade me atormenta, me destrói de dentro para fora, me anula e me prende.

Eu tento beber água e respirar fundo, mas ela continua ali, junto a uma depressão que tenta se esconder atrás de sintomas errados.

Eu tranco as portas e corro para a cama protetora, meu costumeiro refúgio. Tento me esconder debaixo dos lençóis e cobertores, mas não me escondo delas, apenas do mundo a minha volta.

As vezes rezo por horas até tudo acabar, as vezes em durmo em meio a um choro abafado e ao medo de seguir em frente e continuar confinada ao meu casulo pseudo protetor pelo resto dos meus dias.

Porém, ao acordar, com o peito já mais leve e os pensamentos superficialmente ordenados, lembro-me que a vida é um ciclo e que os momentos ruins também chegam ao fim.

Levanto da minha cama com as pernas ainda trêmulas e o restante do medo que sobrou da noite anterior. Sento próximo a janela olho para o céu cinza e sei que por trás dele o sol continua ali, assim como eu também continuarei.

Os dias claros chegarão novamente e o medo dirá adeus.

Cansaço.

Eu perdi o controle, Ana, pois eu te entreguei as rédeas da minha vida novamente. Deixei que teus pensamentos substituíssem as minhas vontades e os meus desejos, e voltei a ter medo e a sentir dor.

Cada centímetro, cada grama, cada caloria. Tudo contado, calculado.

Por ti, voltei a era das mentiras, da fome e da solidão. Por ti voltei a buscar ideais inescrupulosos e duros. Por ti, esqueci-me de quem sou.

Há tanto tempo penso em te dar adeus, há tanto tempo busco a minha vida de volta. Há tanto tempo que já desisti de esperar. Eu cansei de você, Ana, da mesma forma que cansei de mim.

Ilusão

A fome é exaustiva e em alguns dias eu só consigo pensar em desistir. Sinto-me presa a casulo que não me fará sofrer metamorfose alguma. Serei lagarta da vida a morte, e nada além.

No entanto, encontro pequenas ilusões de felicidades enquanto deixo o meu corpo corroer cada pedaço de si mesmo em busca de manter-se vivo, nutrido. Encontro prazer na dor, nos ossos que se destacam, nos jeans que são cada vez menores e mesmo assim mais largos. Encontro o velho e aconchegante prazer da autodestruição a cada dia que deixo que a Ana domine meus passos e pensamentos e a Mia me guie após meus inúmeros fracassos.

Contudo, em meio ao caos que eu mesma criei, em meio a fome e a mãos arranhadas, encontrei o que procurava em mim: descobri o meu vício e os meus motivos. Eu sei qual é o meu problema, eu sei quais são os meus medos. Eu preferia nunca ter descoberto. Eu preferia a ilusão de achar que tudo era uma questão de peso.