Egoísmo meu?

Por quanto tempo eu ainda vou viver? Por quanto tempo eu ainda vou aguentar esse cansaço, essa dor? Eu sou obrigada a continuar?

Estou cansada de continuar, preciso de um pouco de paz. Se meu corpo não tiver paz, minha alma não terá. Tudo doera em conjunto, dia após dia. Esses machucados invisíveis me destroem.


Mesmo nas manhãs calmas, a fresta de sol quente e acolhedor que vem da minha janela e toca suave os meus pés não é o suficiente para que eu sorria ao acordar. Cansei também de acordar.


Será egoísmo meu querer partir mais cedo ou egoísmo alheio insistir que eu permaneça nesse corpo? Corpo que, aliás, não foi feito para mim. Tento mudá-lo, moldá-lo, torná-lo compatível com aquilo que sou, mas ele apenas se desgasta revidando minhas atitudes desesperadas, tentando manter-se corpo vivo, biologicamente ativo.

Impulsivo, este corpo é também paradoxal:

Num dia recusa alimento, no outro tudo deseja.
Num dia recusa a mover-se, no outro não para.
Num dia dói, no outro também.

Não, esse corpo não é meu, eu não o quero. Posso trocá-lo? Modificá-lo não é o suficiente, ele não aguentará os mesmos que limites que tem a minha vaidade, a minha dedicação. Minha alma não cabe nele. Eu não caibo.

Este corpo não é o meu lugar. Esse corpo é prisão. Estou sufocando.

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Ensaios de outras vidas

Eu posso te ver e gritar o teu nome, mas é o silêncio que domina o ambiente. Minha voz é muda perante os teus ouvidos. Meu corpo é invisível perante os teus olhos. Meus escritos são breves notas que não passam pelas tuas mãos.
Eu vago no tempo ao redor de ti, em espiral.
Te encontrei num nada azul. Giramos, giramos, gritamos. Para onde vamos?
Você foi.
Cartas e devaneios, quase memórias. O que aconteceu naquele tarde? Ou era noite? Talvez fosse julho. Você partiu e as memórias se despedaçaram.
Não sou quem fui, não sei quem sou.
Preciso juntar os pedaços para preencher os espaços, lacunas de vidas.
Um punhado de incertezas toma conta e talvez eu esteja misturando a realidade com a fantasia. Nós enlouquecemos?