Ensaios de outras vidas

Eu posso te ver e gritar o teu nome, mas é o silêncio que domina o ambiente. Minha voz é muda perante os teus ouvidos. Meu corpo é invisível perante os teus olhos. Meus escritos são breves notas que não passam pelas tuas mãos.
Eu vago no tempo ao redor de ti, em espiral.
Te encontrei num nada azul. Giramos, giramos, gritamos. Para onde vamos?
Você foi.
Cartas e devaneios, quase memórias. O que aconteceu naquele tarde? Ou era noite? Talvez fosse julho. Você partiu e as memórias se despedaçaram.
Não sou quem fui, não sei quem sou.
Preciso juntar os pedaços para preencher os espaços, lacunas de vidas.
Um punhado de incertezas toma conta e talvez eu esteja misturando a realidade com a fantasia. Nós enlouquecemos?