Noites de Insônia

4h de sono não são o suficiente, eu me sinto cansada. Cansada da dor do mundo, dos dias tristes, da minha própria dor.

Os pensamentos são loops que misturam passado, presente e futuro. Estou perdida.

Meus olhos querem se fechar, meu corpo precisa de repouso, minha mente procura racionalmente a resolução de problemas que ainda não descobri quais são. A resposta para as perguntas essenciais sobre a vida.

Quem sou eu? No fundo do meu eu?

Nesses dias escuros, desejo apenas aquietar os pensamentos num sono longo, renovador.

Sem sonhos, por favor.

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Nonsense notes  – Old Ana Mia Playlist

Eu escutei as velhas músicas: acolhedoras como sempre foram, falando daquilo que eu sinto e não consigo me desvincular, expondo a minha prisão particular, o meu refúgio de medo e paz, a confusão da minha mente.
Cada frase me fez suar frio -cada frase um toque em meus ossos- as imagens salvas nas pastas secretas do meu computador reaparecendo, tudo vindo à tona e não posso mentir: o êxtase tomou conta de mim. O espaço entre minhas pernas, a adrenalina da falta de comida, a tranquilidade ao redescobrir uma direção a partir de calorias contadas. Me permiti ser cegada mais uma vez pelo êxtase do delírio do auto controle.
O meu antidepressivo perfeito é um caminho para a morte.  Tudo é tão ambíguo quanto pode ser.
Temi que lágrimas caíssem ainda nos primeiros trechos da minha playlist autodestrutiva, mas senti apenas paz. Música após música -mesmo com todas as lembranças de dias em hospitais e da auto tortura que roubou de mim o meu próprio corpo- todas as palavras, as frases, tudo tornou-se um abraço quente num coração perdido, rodeado de escuridão.
Como eu poderia explicar? Como posso esperar que alguém entenda?
Eu preciso daquilo que me mata para conseguir viver. 

 

  • Nonsense notes: 5mg of xanax, 200mg of quetiapine, 200mg of carbamazepine, 100mg of sertraline and some Oxys for fun. 16/07/17.
  • Obrigada a todos os comentários, alguns são tão delicados e reconfortantes. Essa semana responderei a todos. Vocês estão no meu coração, lembro de todas as palavras bonitas que vocês deixam para mim nesses dias difíceis, são em partes minha fonte de inspiração.

Segredos de Agenda

Eu tomo três banhos por dia, caso contrário sinto que há algo tão errado que o meu mundo pode acabar e é difícil até mesmo de respirar. Porém dois banhos são aceitáveis, ainda é possível dormir. A culpa é menor do que se for um só.

Entretanto hoje eu preferi não sair da cama. Não trocar a roupa de ontem e deixar o chuveiro com seus poderes de limpeza física e espiritual desligado. Hoje eu preferi não viver, mas continuo aqui, talvez por um exagero nos remédios que me acalmam.
Deixar o meu corpo tão cansado quanto a minha mente é a melhor forma de prevenir certos impulsos autodestrutivos, mas não é cura para a solidão que me destrói. Não resolve os problemas que me colocaram nessa situação, e então eu como, e como muito.

Doces, salgados, misturas incomuns. Eu como na esperança de preencher o vazio, de desviar o foco e permitir que uma dor física me faça deixar de pensar a respeito daquilo que gira dentro da minha cabeça e me estraga por inteiro.

Eu como até sentir que vou explodir. Ai me escondo no banheiro com música alta e coloco tudo para fora até a minha cabeça doer, até a garganta arder e eu sentir que não há mais forças para continuar. Só que eu continuo. Do banheiro a geladeira, ao quarto e ao banheiro novamente, continuo até o esgotamento não me permitir mais nenhum passo e eu finalmente me sentir a vontade por ter feito o que sei fazer. Por ter acertado na minha falha. Uma falha que dói, mas não sangra. Uma falha que ninguém vê e que me faz pensar que talvez não seja tarde demais para voltar atrás. Livrar o meu corpo de todos os erros que o submeti por acreditar que comer seria seguro, que poderia ser uma solução. Porém 36kg é uma tristeza mais feliz.

Certos tipos de dor são o que eu chamo de lar. Meu porto seguro me machuca, mas é o único lugar para o qual posso ir enquanto espero que a força volte e por mais um dia, atrás de cicatrizes, visíveis ou não, eu encontre forças para continuar.

Porém, quando a escuridão da madrugada chega , depois de um dia vazio, eu ainda me pergunto: Vale apena continuar só para saber o que vem depois?

meu alface favorito

meu alface favorito

Decepçao

O medo da verdade faz com que eu me afaste da balança.
Sinto ter falhado, mesmo sem que haja alguma confirmação além da gordura que vejo através de qualquer espelho. As roupas largam já não são mais símbolos de conquista e as minhas mãos arranhadas falham em ser o motivo das minhas pernas finas. A estreita relaçao criada com a mia nos últimos meses não foi o suficiente para suprir o sentimento de limpeza e leveza conquistado com a ana. Meu corpo é um templo abandonado pelos sentimentos bons e seus enfeites consistem na podridão da comida fixada no meu interior: restos e restos de mim mesma, toneladas de decepção.