Egoísmo meu?

Por quanto tempo eu ainda vou viver? Por quanto tempo eu ainda vou aguentar esse cansaço, essa dor? Eu sou obrigada a continuar?

Estou cansada de continuar, preciso de um pouco de paz. Se meu corpo não tiver paz, minha alma não terá. Tudo doera em conjunto, dia após dia. Esses machucados invisíveis me destroem.


Mesmo nas manhãs calmas, a fresta de sol quente e acolhedor que vem da minha janela e toca suave os meus pés não é o suficiente para que eu sorria ao acordar. Cansei também de acordar.


Será egoísmo meu querer partir mais cedo ou egoísmo alheio insistir que eu permaneça nesse corpo? Corpo que, aliás, não foi feito para mim. Tento mudá-lo, moldá-lo, torná-lo compatível com aquilo que sou, mas ele apenas se desgasta revidando minhas atitudes desesperadas, tentando manter-se corpo vivo, biologicamente ativo.

Impulsivo, este corpo é também paradoxal:

Num dia recusa alimento, no outro tudo deseja.
Num dia recusa a mover-se, no outro não para.
Num dia dói, no outro também.

Não, esse corpo não é meu, eu não o quero. Posso trocá-lo? Modificá-lo não é o suficiente, ele não aguentará os mesmos que limites que tem a minha vaidade, a minha dedicação. Minha alma não cabe nele. Eu não caibo.

Este corpo não é o meu lugar. Esse corpo é prisão. Estou sufocando.

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Penitência

Eu cansei desse cansaço e dessa dor, desse esforço para que os quilos simplesmente desapareçam enquanto a fome permanece em minha mente. Cansei do frio que abraça a minha falta de forças, das desculpas e até das verdades que me prendem a um mundo que não me faz feliz.
Eu cansei das preocupações e das calorias contadas, dos medicamentos que me deixam doente e de tudo aquilo que eu preciso dizer não.
Eu cansei dos jeans sempre menores que o meu número atual e das noites em que o banheiro se torna meu melhor amigo. Eu cansei da voz levemente rouca e da ardência na garganta.

Eu cansei, mas ainda não desisti.