Quando alguém chega ao fim

[resumo dos últimos meses]

Eu parei de escrever porque meus braços estavam cansados e tremiam, minhas pernas deixaram de ser o suficiente para me manter em pé durante vários dias e a minha vida se tornou escuridão. Foram muitos os monólogos mentais que eu gostaria de ter passado para o papel, muitos os pensamentos que mereciam anotações antes que eu dormisse e os esquecesse para sempre ou que as alucinações do tempo em que meus olhos sequer conseguiam se fechar se confundissem com o mundo real. Foram tempos difíceis para o corpo e para a alma. A assombração de estar preso em si mesmo.
Por momentos, achei que jamais me recuperaria, que a minha vida se dividiria entre a cama e a banheira morna e meus olhos continuariam pedindo por socorro sem que alguém pudesse realmente entender que por trás daquele corpo que tremia incessantemente com qualquer som, eu estava sumindo.
Não sei qual período dessa história foi o pior: Quando eu não conseguia acordar ou quando eu não conseguia dormir. Ambas as situações duravam por dias e não havia escapatória, eu estava enlouquecendo com o mundo tentando me convencer de que eu ficaria bem, de que tudo era normal.
Contudo, eu ouvia sons que ninguém mais conseguia ouvir, vozes me chamando por todos os lados, vultos passando por dentro do meu corpo, frio incessante em dias de sol e o medo constante transformando a existência em agonia. Ele (o medo) estava sempre ali me fazendo suar frio, me deixando mais fraca, me sugando. Dias sem comer, dias sem tomar banho, me tornei bagunça presa numa solidão inacabável. Solidão tal que tomou parte de mim e então eu me esqueci de todas as palavras que queria dizer. As lágrimas caiam, mas não falavam por mim.
Minhas mãos ainda tremem e em alguns dias eu me arrisco a comer, a sair da cama-prisão, a ver o mundo. Nesses dias eu preciso de muitos remédios para enfrentar a vida e aceitar tudo o que foi tomado de mim por uma escuridão que ainda assombra minha alma. Minhas pernas estão mais fortes e eu já consigo tomar banho em pé, mas saio ofegante do chuveiro. Porém as palavras e as memórias pela metade, confusas e desordenadas, ainda me torturam, noite após noite, pílula após pílula, até um fim precoce caso eu não descubra e concerte o começo.

 

Agradeço pelo apoio de todos e responderei aos comentários em breve.

Sentimentos da Recuperação

11/12/2015  eu consegui comer 1700 calorias.
Me sinto horrível e tudo dói. A recuperação exige mais de mim do que continuar a emagrecer.

Voltei a tomar a medicação para depressão. Os ataques de pânico diminuíram, assim como eu me sinto sentimentalmente diminuída. É certo esse insignificância?
Ou isso é um tipo de alegria que já não sei identificar?

Tenho medo desse mundo que se expande dentro de mim. Medo de quem eu sou. De quem eu posso ser.

(OBS: Durante a semana respondo aos comentários, obrigada a todos, li comentários tão carinhosos e bonitos que mesmo durante toda essa turbulência, o meu coração sorriu)

Eu deixei que a comida doesse, pois eu precisava da dor. Eu deixei que o desconforto se tornasse o sabor do meu prato, pois eu precisava acreditar que estava cometendo um erro. Eu deixei que as 48h em que o meu corpo esteve vazio, livre, fossem preenchidas por calorias e arrependimentos. Eu deixei a culpa tomar o meu lugar e comandar os meus passos.

Pés saltitantes e pernas cansadas. Eu tranco a porta do banheiro e o meu mundo escurece, estremece.
Garotas cadavéricas dançam em minha mente: apenas pele, ossos e harmonia.

 

Decepçao

O medo da verdade faz com que eu me afaste da balança.
Sinto ter falhado, mesmo sem que haja alguma confirmação além da gordura que vejo através de qualquer espelho. As roupas largam já não são mais símbolos de conquista e as minhas mãos arranhadas falham em ser o motivo das minhas pernas finas. A estreita relaçao criada com a mia nos últimos meses não foi o suficiente para suprir o sentimento de limpeza e leveza conquistado com a ana. Meu corpo é um templo abandonado pelos sentimentos bons e seus enfeites consistem na podridão da comida fixada no meu interior: restos e restos de mim mesma, toneladas de decepção.

O limite

Unir-se aos inimigos é algo inteligente, logo, faço da fome a minha melhor aliada.

O novo psiquiatra foi melhor que o esperado e deu-me a resposta mais preciosa: o peso mínimo que posso ter sem que hajam complicações sérias ou alterações neurológicas que podem render-me algum tipo de intervenção desagradável.

São os sonhados 40kg o limite do meu corpo. No entanto, eu não os quero. 40kg ainda é demais. 40kg ainda é desespero. 40kg ainda é tristeza. 40kg ainda doem. Meu corpo suporta 40kg, minha mente, não. Pelo menos, não mais. Ela não os suporta quando eu me aproximo deles, quando eu estou quase lá, quando faltam apenas algumas gramas ou alguns dias sem comer.

O limite da minha mente é um número menor do que o limite do meu corpo. O limite da minha mente sempre diminui. O limite da minha mente são ossos saltados, dedos arranhados e olhos famintos. O limite da minha mente não existe.

Playlist A/M

Encontrei em alguns sites algumas músicas A&M  e outras que nem são sobre isso, mas que se encaixam, eu ia fazer uma lista maior, selecionar melhor, mas falta tempo, então isso foi o que deu pra fazer. A lista tem 35 músicas, se vocês conhecerem alguma que não está na lista me falem que eu baixo e adiciono.

Espero que gostem! E força pra nós.

http://www.4shared.com/rar/XDQs3R1r/AM_online.html?