Noites de Insônia

4h de sono não são o suficiente, eu me sinto cansada. Cansada da dor do mundo, dos dias tristes, da minha própria dor.

Os pensamentos são loops que misturam passado, presente e futuro. Estou perdida.

Meus olhos querem se fechar, meu corpo precisa de repouso, minha mente procura racionalmente a resolução de problemas que ainda não descobri quais são. A resposta para as perguntas essenciais sobre a vida.

Quem sou eu? No fundo do meu eu?

Nesses dias escuros, desejo apenas aquietar os pensamentos num sono longo, renovador.

Sem sonhos, por favor.

20232122_1630265123672181_145305862232618575_o.jpg

Nonsense notes  – Old Ana Mia Playlist

Eu escutei as velhas músicas: acolhedoras como sempre foram, falando daquilo que eu sinto e não consigo me desvincular, expondo a minha prisão particular, o meu refúgio de medo e paz, a confusão da minha mente.
Cada frase me fez suar frio -cada frase um toque em meus ossos- as imagens salvas nas pastas secretas do meu computador reaparecendo, tudo vindo à tona e não posso mentir: o êxtase tomou conta de mim. O espaço entre minhas pernas, a adrenalina da falta de comida, a tranquilidade ao redescobrir uma direção a partir de calorias contadas. Me permiti ser cegada mais uma vez pelo êxtase do delírio do auto controle.
O meu antidepressivo perfeito é um caminho para a morte.  Tudo é tão ambíguo quanto pode ser.
Temi que lágrimas caíssem ainda nos primeiros trechos da minha playlist autodestrutiva, mas senti apenas paz. Música após música -mesmo com todas as lembranças de dias em hospitais e da auto tortura que roubou de mim o meu próprio corpo- todas as palavras, as frases, tudo tornou-se um abraço quente num coração perdido, rodeado de escuridão.
Como eu poderia explicar? Como posso esperar que alguém entenda?
Eu preciso daquilo que me mata para conseguir viver. 

 

  • Nonsense notes: 5mg of xanax, 200mg of quetiapine, 200mg of carbamazepine, 100mg of sertraline and some Oxys for fun. 16/07/17.
  • Obrigada a todos os comentários, alguns são tão delicados e reconfortantes. Essa semana responderei a todos. Vocês estão no meu coração, lembro de todas as palavras bonitas que vocês deixam para mim nesses dias difíceis, são em partes minha fonte de inspiração.

Quando alguém chega ao fim

[resumo dos últimos meses]

Eu parei de escrever porque meus braços estavam cansados e tremiam, minhas pernas deixaram de ser o suficiente para me manter em pé durante vários dias e a minha vida se tornou escuridão. Foram muitos os monólogos mentais que eu gostaria de ter passado para o papel, muitos os pensamentos que mereciam anotações antes que eu dormisse e os esquecesse para sempre ou que as alucinações do tempo em que meus olhos sequer conseguiam se fechar se confundissem com o mundo real. Foram tempos difíceis para o corpo e para a alma. A assombração de estar preso em si mesmo.
Por momentos, achei que jamais me recuperaria, que a minha vida se dividiria entre a cama e a banheira morna e meus olhos continuariam pedindo por socorro sem que alguém pudesse realmente entender que por trás daquele corpo que tremia incessantemente com qualquer som, eu estava sumindo.
Não sei qual período dessa história foi o pior: Quando eu não conseguia acordar ou quando eu não conseguia dormir. Ambas as situações duravam por dias e não havia escapatória, eu estava enlouquecendo com o mundo tentando me convencer de que eu ficaria bem, de que tudo era normal.
Contudo, eu ouvia sons que ninguém mais conseguia ouvir, vozes me chamando por todos os lados, vultos passando por dentro do meu corpo, frio incessante em dias de sol e o medo constante transformando a existência em agonia. Ele (o medo) estava sempre ali me fazendo suar frio, me deixando mais fraca, me sugando. Dias sem comer, dias sem tomar banho, me tornei bagunça presa numa solidão inacabável. Solidão tal que tomou parte de mim e então eu me esqueci de todas as palavras que queria dizer. As lágrimas caiam, mas não falavam por mim.
Minhas mãos ainda tremem e em alguns dias eu me arrisco a comer, a sair da cama-prisão, a ver o mundo. Nesses dias eu preciso de muitos remédios para enfrentar a vida e aceitar tudo o que foi tomado de mim por uma escuridão que ainda assombra minha alma. Minhas pernas estão mais fortes e eu já consigo tomar banho em pé, mas saio ofegante do chuveiro. Porém as palavras e as memórias pela metade, confusas e desordenadas, ainda me torturam, noite após noite, pílula após pílula, até um fim precoce caso eu não descubra e concerte o começo.

 

Agradeço pelo apoio de todos e responderei aos comentários em breve.

Maio 2015 – Março 2016

7cccdd86e361a713cef8cc4c4bf78106

Visões equivocadas por trás dos meus olhos embaralhados.
Imagem quase turva.
Abandonada.

Sem revisões ou palavras rebuscadas: cá estou eu!

De cara lavada por lágrimas quentes e coração dilacerado pelo sentimento de falha, escrevo frases que demonstram o profundo sentimento de frustração que toma conta do meu ser.

Aceito com angustia que o espelho que não é um inimigo, nunca foi. A culpa da imagem que tortura os
meus olhos é exclusivamente minha. A responsável por ultrapassar os limites sou eu.
Eu cheguei aos 40kg. Cheguei aos 38kg. Aos 36kg.
Porém, será que eu cheguei ao meu limite?

No hospital decorei palavras de  superação. Decorei mentiras auspiciosas e tentei convencer-me de que aquilo é que era o certo apenas para livrar-me do quarto branco e dos intermináveis litros de soro.
Entretanto, nenhuma mentira é eterna. A realidade atingiu-me com tamanha brutalidade que meus pensamentos tornaram-se incertos e o famoso “quem sou eu?” passou a preencher o meu vazio interior com com perguntas para as quais não há quaisquer respostas sensatas.
Defini-me através das consequências das minhas atitudes.

Quando eu deixo meu corpo deteriorar-se pela inanição, sou aquela a qual a fome domina. A garota dos ossos saltados. Aquela que o vento leva com seu sopro fraco. Sou a que morrerá devido a carências físicas e emocionais simplesmente para sentir que é alguém.
Contudo, quando como não sei quem sou. Alimentar o meu corpo é desnutrir minha alma.

Viva ou morta, preciso de uma identidade para calar os fantasmas das perguntas fundamentais sobre o que é a vida.
Para calar a minha mente antes que as consequências deixem de prejudicar somente a mim.

Sem luzes

Eu pensei em desistir, mas eu falhei. Eu sempre falho. Sou o oposto dos meus desejos, das minhas necessidades e das minhas aspirações.

A conhecida brincadeira do enche/esvazia/enche/esvazia/enche/esvazia/desmancha tornou-se novamente um passatempo, embora não seja o meu preferido. O êxtase da falta de comida é que é a montanha russa do meu parque de diversões.  No entanto, tudo está parado: não há energia.

Carrosséis não se movimentam e rodas gigantes não sobem. Eu falhei.

Mas eu não desisti.

Será medo?

Você vê se os seus ossos, mas isso não é o suficiente. Suas calças estão largas e suas blusas não servem mais, mas isso não é o suficiente. Nada do que você faz é o suficiente pois você ainda não atingiu o seu peso ideal.

No fundo você sabe: nunca nada será o suficiente, são tudo desculpas para esconder o seu verdadeiro eu.
Você nunca esta completo, você nunca é o melhor.
Você não é o mais bonito, o mais interessante, o mais inteligente, o mais magro.

Sempre tem alguém melhor, é só olhar ao redor.

As pessoas estão se superando e você continua na mesma, dizendo que não aguenta mais sem ao menos chegar ao limite, sem ao menos ultrapassar o size0.
Seu medo de atingir suas metas é tão grande quanto o medo de que nada mude. Você sabe: vai sofrer.
Assim que o peso diminuir, as forças irão embora. Será difícil levantar da cama -mais do que já é. Você tem medo de perder quem diz que te ama, você tem medo de perder o que lhe resta de saúde, mas principalmente, você tem medo de se encontrar.

Tem medo de –finalmente- ser bom o suficiente. E morrer por isso.

Foto criada em 13-11-14 às 18.28 #2

 

A respeito de  quaisquer erros: estou bêbada.