Estou passando por um período muito difícil. Voltarei a postar em breve. 

Obrigada a todos que me acompanham, dou muito valor a quem, mesmo que distante, está ao meu lado.

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Descrição da ansiedade que me prende

A ansiedade me atormenta, me destrói de dentro para fora, me anula e me prende.

Eu tento beber água e respirar fundo, mas ela continua ali, junto a uma depressão que tenta se esconder atrás de sintomas errados.

Eu tranco as portas e corro para a cama protetora, meu costumeiro refúgio. Tento me esconder debaixo dos lençóis e cobertores, mas não me escondo delas, apenas do mundo a minha volta.

As vezes rezo por horas até tudo acabar, as vezes em durmo em meio a um choro abafado e ao medo de seguir em frente e continuar confinada ao meu casulo pseudo protetor pelo resto dos meus dias.

Porém, ao acordar, com o peito já mais leve e os pensamentos superficialmente ordenados, lembro-me que a vida é um ciclo e que os momentos ruins também chegam ao fim.

Levanto da minha cama com as pernas ainda trêmulas e o restante do medo que sobrou da noite anterior. Sento próximo a janela olho para o céu cinza e sei que por trás dele o sol continua ali, assim como eu também continuarei.

Os dias claros chegarão novamente e o medo dirá adeus.

Notas de Dias Confusos

Eu não me lembro muito bem dos últimos dias, foi tudo tão confuso e as minhas canetas estão sem tampa. Tem pacotes de comida vazios pelo chão e as minhas cobertas estão todas bagunçadas. Acho que choveu durante a noite pois o chão próximo a janela está molhado.
Ainda ontem, antes dos comprimidos para dormir, era segunda-feira. Não entendo como o jornal e os sites da internet insistem em dizer que nós já estamos na sexta.

Também estou com algumas marca roxas pelo meu corpo e o joelho esquerdo dói. Pelo que percebi, atendi algumas ligações durante a madrugada, mas não me recordo muito bem. Gostaria de saber o que eu disse ou o que me disseram para que eu descesse da janela do 8 andar. Será que eu iria mesmo pular?
O bilhete ao lado da cama diz: “são 5 passos até o fim”.
Acho que faltou um só e isso me assusta.

Estou com tanto medo.

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Segredos de Agenda

Eu tomo três banhos por dia, caso contrário sinto que há algo tão errado que o meu mundo pode acabar e é difícil até mesmo de respirar. Porém dois banhos são aceitáveis, ainda é possível dormir. A culpa é menor do que se for um só.

Entretanto hoje eu preferi não sair da cama. Não trocar a roupa de ontem e deixar o chuveiro com seus poderes de limpeza física e espiritual desligado. Hoje eu preferi não viver, mas continuo aqui, talvez por um exagero nos remédios que me acalmam.
Deixar o meu corpo tão cansado quanto a minha mente é a melhor forma de prevenir certos impulsos autodestrutivos, mas não é cura para a solidão que me destrói. Não resolve os problemas que me colocaram nessa situação, e então eu como, e como muito.

Doces, salgados, misturas incomuns. Eu como na esperança de preencher o vazio, de desviar o foco e permitir que uma dor física me faça deixar de pensar a respeito daquilo que gira dentro da minha cabeça e me estraga por inteiro.

Eu como até sentir que vou explodir. Ai me escondo no banheiro com música alta e coloco tudo para fora até a minha cabeça doer, até a garganta arder e eu sentir que não há mais forças para continuar. Só que eu continuo. Do banheiro a geladeira, ao quarto e ao banheiro novamente, continuo até o esgotamento não me permitir mais nenhum passo e eu finalmente me sentir a vontade por ter feito o que sei fazer. Por ter acertado na minha falha. Uma falha que dói, mas não sangra. Uma falha que ninguém vê e que me faz pensar que talvez não seja tarde demais para voltar atrás. Livrar o meu corpo de todos os erros que o submeti por acreditar que comer seria seguro, que poderia ser uma solução. Porém 36kg é uma tristeza mais feliz.

Certos tipos de dor são o que eu chamo de lar. Meu porto seguro me machuca, mas é o único lugar para o qual posso ir enquanto espero que a força volte e por mais um dia, atrás de cicatrizes, visíveis ou não, eu encontre forças para continuar.

Porém, quando a escuridão da madrugada chega , depois de um dia vazio, eu ainda me pergunto: Vale apena continuar só para saber o que vem depois?

meu alface favorito

meu alface favorito

Um capítulo de Agosto

Sentada na minha cama em um domingo a tarde, vazio e cinza, meus pensamentos fluem entre passado, presente e futuro. Recrio a minha história de diversas maneiras, quase todas com um final feliz. A parte trágica sempre mantenho, as vezes me faz chorar, mas acho que um drama é essencial.
São apenas duas horas e o meu cinzeiro com o rosto da Marylin Monroe já está cheio. Acho que esse é o meu cinzeiro preferido, inclusive porque não lembro de nenhum outro e um amigo me fez perceber como era decadente usar xícaras e canecas ainda com uma sobra de café ou coca-cola. Pessoas bem resolvidas tem um cinzeiro. Parece mais adulto, mais sério.

Aliás, faz muito tempo que sinto que sou adulta. Todas essas cobranças e responsabilidades. As saídas a noite. O sexo. E as drogas, muitas delas. São a melhor companhia para o final de semana. Me fazem acordar, ficar feliz, ficar calma, dormir. Seguindo essa rotina a vida até parece algo fácil, suportável.

A playlist de hoje se divide entre Echo and the Bunnymen e The Cure. São as minhas bandas preferidas para ficar chapada. Trazem a tona algo como uma nostalgia do que não foi vivido, como aqueles dias nos anos 80 que só existem na minha mente. Se ao morrer eu pudesse escolher qualquer época para voltar, nasceria nos anos 60 só para ter idade para ir aos shows das bandas que eu escuto hoje quando elas estavam no inicio do caminho para a fama.

O meu pensamento mais frequente quando estou chapada é sobre o passado. Sempre me pergunto se voltar no tempo seria algo mais no estilo de Efeito Borboleta ou De Volta para Futuro. Gosto de imaginar todas as consequências dessas viagens. Queria um livro com todas as linhas de tempo imagináveis para saber o que seria da minha vida se eu tivesse dito sim a todas as chances que tive de viver algo novo.

Como uma coisa leva a outra, o pensamento sobre filmes me fez lembrar que comecei a assistir pela 10 vez Garota Interrompida. Esse também é dos meus favoritos. Fico perdida entre ser Susanna, Lisa ou Daisy. Acho que sou a fusão das três, mas dependendo do dia sou uma só.
Hoje sou Susana, a garotinha pálida de olhar perdido coberta por fumaça do cigarro esquecido no meio dos dedos, fingindo descansar em um hospital psiquiátrico. Sexo casual em 1960 não é para boas moças. Boa história para escritores.

Ainda não decidi se nos meus dias mais perigosos sou Lisa ou Daisy. As consequências de ser qualquer uma delas é devastadora. No final são três garotas auto destrutivas, reféns dos próprios pensamentos, inadequadas para a sociedade. Doentes por sentirem demais.

Contudo, não vejo tanta diferença na época atual. Valium, Diazepam, Xanax, Rivotril, Ritalina. Tantas formas de manter a calma e ver o mundo um pouco mais feliz. Pílulas de convívio social, ditando em diplomas quem está apto para a vida comum. Tem que saber contar boas mentiras no bar e fingir puritanismo nos almoços de domingos. A menos que você seja homem, então pode contar mentiras o todo tempo. Se elas envolverem mulheres, melhor ainda. Todos vão acreditar.
Num piscar e olhos é noite e eu me perdi nas horas. Meu cigarro queimou e apagou no cinzeiro antes que eu o tragasse, meu café esfriou. Até o clima esfriou e eu continuo vestindo apenas a mesma camiseta velha dos Rolling Stones. Devo tê-la vestido na sexta feira quando decidi que nada me tiraria de casa.

Parte de mim quer acender uma luz, preparar outro café e colocar alguma coisa no microondas. Comida congelada é a melhor opção, a menos que tenha sobrado um pedaço de pizza da noite passada. Eu sempre digo que irei me alimentar melhor, mas a noite chega e eu me acabo no junkie food. Tento aliviar a consciência lembrando que pelo menos parei de comer carnes. Ser vegetariana é um começo.

Queria voltar a fazer dietas, mas estou me controlando porque reconheço que nunca sei a hora de parar. Quanto mais vejo resultado, mais longe quero ir. Tudo começa comigo selecionando o que é comida saudável e depois reduzindo a 1000kcal por dia até chegar em 0, então fico por quase uma semana sem comer. Da última vez fiquei tão paranóica que limitava o meu consumo de água a goles pequenos e em seguida tomava diuréticos. Eu gosto de como sinto que consigo controlar tudo quando estou presa na ilusão de dominar o corpo.

Se não fosse pelo meu computador, eu não enxergaria um palmo na minha frente. Meu quarto com uma pia e uma geladeira no centro da cidade é o esconderijo ideal de fantasmas. Em algumas noites nós até conversamos. Acho que morrer te faz entender algumas coisas que não são tão comuns quando se está vivo. Eu já morri uma vez. Foram todos aqueles comprimidos, sabe? No entanto, não posso sair por ai contando sobre essa desventura. Ninguém acreditaria em mim e achariam que sou louca.

É necessário fingir para poder usufruir de algumas vantagens que a gente tem quando cresce e passa a cuidar sozinho da próprio vida. Poder ter o meu próprio estoque de remédios e um pé de maconha no meu quarto/cozinha/sala é uma delas. A desvantagem é ter que pagar as próprias contas, parece que surge uma nova a cada semana e cada vez maior.

Esqueci de comentar antes, mas hoje é dia dos pais e isso me faz não querer falar mais nada por hoje. Deixo a ideia da luz, do café e do pedaço de pizza de lado e engulo todos os remédios que estão jogados aos pés da cama. Programo o despertador para as 5h da manhã, imaginando ter tempo de fazer ao acordar tudo o que deveria ter feito hoje. Meus dias são esse monte de procrastinações e textos sem muito nexo.

Maio 2015 – Março 2016

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Visões equivocadas por trás dos meus olhos embaralhados.
Imagem quase turva.
Abandonada.

Meu Eu Fantasma

Sozinha no meu quarto escuro, isolado e frio, minhas mãos tateiam as cicatrizes que se espalham pelo meu corpo. Braços e pernas marcados por linhas tortas, brancas e roxas. Linhas que contam histórias de incessantes tentativas de trocar a dor psicológica pela física, tentativas falhas de viver através da morte.

Nos pulsos as lembranças do dia em que eu acordei num quarto branco e a minha mente adormeceu repleta de escuridão. Eu não era real. Nada daquilo era.

Foi no mesmo inverno que um vento leve soprou pelas minhas costas e os pelos dos meus braços e pernas se arrepiaram enquanto um calafrio percorria a minha espinha.
Naquele dia um fantasma deitou-se ao meu lado.

Ele sussurrou segredos de outro mundo. Disse que estive lá e que meu corpo era pálido e frio como a neve. Meu alimento era o meu próprio eu.

Suas palavras quase maternais trouxeram paz ao meu coração enquanto feridas se abriam na minha pele e o vermelho que borbulhava nas minhas veias escorria quente e manchava o meu lençol.

Naquele inverno um fantasma de toque metálico deitou-se ao meu lado e marcou o meu corpo.