wrong.

I have an human body full of wrong feelings

 

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Realidade

Primeiro dia em casa depois de um grande desastre. Talvez apenas desastre.

Estar num hospital psiquiátrico é ruim, só não pior que a realidade fora dele.

Menos de 24h e já não aguento mais, novamente. Já chorei e já quis morrer. Quero. Quero, quero e quero.

O mal que sai de mim

A única coisa que consigo pensar no momento é se tomo um vidro inteiro de remédios para dormir e tenho o sono que sempre desejei ou se continuo a forçar-me a viver neste mundo que causa-me tanta dor.

Dor física, dor psicológica, dor emocional… todos os tipos de dores que alguém pode sentir.

Chorei ao não conseguir prometer a alguém que não faria nada que -em sua percepção- pudesse me prejudicar.

Porém, como eu prometeria isso? Eu que vivo em dor constante desde antes de entender o próprio significado da dor?

Nasci alma suicida, não se pode negar.

Giletes arranham a minha pele 10, 20… até 30 vezes em menos de um minuto em riscos raivosos que brilham sangue nas minhas pernas durante mais uma madrugada fria no paraíso que deveria ser a Califórnia. 

Não há calma para mim, estou cansada. Diga-me se, no meu lugar, você não estaria?

Eu vivo de dor e de fome, de tristeza e de memórias sádicas que não me deixam chegar ao presente.

O sangue que agora escorre é o mal que sai de mim. 

Um dia, eu inteira vou escorrer.

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Mais tarde escreverei sobre as dores e tragedias de 2018 e sobre os desejos de 2019.

Espero que me acompanhem, pois tiro muito força e fé das palavras de vocês.

agora vou dormir porque tomei um monte de soníferos e onde eu moro são 6h a horas a menos que no Brasil.

No mais, se precisarem, não esqueçam de ligar ao CVV, ele realmente pode salvar sua vida

Morte em vida

Assim de longe percebo que tudo estava bem quando eu ainda levantava da cama, mesmo que com o objetivo de perder todo o peso do meu corpo até morrer, gastando uma energia que não era minha ao fingir que a razão não era essa, mesmo que fosse. Mesmo que eu tentasse me convencer de outras -possíveis- verdades.

Hoje sequer me movo. Nada está bem.

Minha vida tem se tornado escura dentro do meu quarto sem luz, tem sido silêncio e lágrimas compondo um choro tão vazio quanto triste.

Desconheço os dias da semana, do mês. Nunca sei se são 2h da manhã ou da tarde, não há importância em saber. 

A descrição que se parece com um dia de domingo azul escuro, daqueles em que a solidão se mistura à um tédio de tamanho monumental, nada mais é do que a realidade em que me encontro.

Além  da dor que assola meu peito e do sufoco do montante de cobertas que escondem meu corpo calejado pelo antigo excesso de sentimentos, um resquício de mim, intensa e alegre ainda permanece a sentir. É pouco, mas está aqui.

Entretanto, estou cansada de sentir. De me doer atrás de esconderijos de ossos, de projetar estranhos sorrisos em meu rosto a disfarçar a apatia, de tentar viver uma vida já morta. 

Perdida em algum lugar dentro dessa escuridão, abro e fecho meus olhos só para perceber se há movimento, é assim que sei que meu corpo ainda está aqui e que, de certa forma, eu permaneço nele. No mais, aguardo. 

Aguardo, aguardo e aguardo. Todos sabem disso. Todos veem isso.  Ninguém acredita que é realmente isso.  Contudo, afirmo: é! Sempre foi. 

Aliás, eu já fui, apenas -estranhamente- ainda estou aqui.

Urbânia Diga Adeus

Nesse momento eu te odeio. Te odeio muito porque não consigo te esquecer. Te odeio porque você está em todos os lugares ao mesmo tempo que em lugar nenhum.
Nós falamos de tantas coisas, fizemos tantos planos e você se foi antes de concluirmos tudo.
Você sabia os meus porquês.Você sabia além.
Você sabia que eu precisava de você, que isso jamais mudaria.
Você esteve ali quando não era para estar, esteve quando não tinha mais ninguém.
Você viu meu mundo cair e não me levantou, não até que eu pedisse, simplesmente porque você sabia que eu pediria, e pedi.
E o tempo passou e então eu passei sem dizer adeus e você não ligou porque sabia que eu voltaria, e voltei, mas você não estava mais ali.
Você nunca mais estará ali e há nenhum lugar em que eu possa te encontrar pra consolar minha solidão, nenhum ombro para chorar, ninguém para estar ali. Ninguém para ocupar o seu lugar.
Ninguém com a sua paciência ou com a coragem de dizer que finalmente somos só amigos porque você cansou de me amar. Que o amor da amizade nos cabe melhor. Ninguém para entender os motivos do meu  não. Ninguém para ser quem eu vou sempre precisar. Ninguém para ser o meu melhor amigo.

Tristes Verdades

Eu estou morrendo, digo. Eles escutam e não entendem. Repito com mais firmeza: eu estou morrendo! Eles dizem: todos estamos. Tento explicar: estou morrendo mais rapidamente, restam-me no máximo dois ou três anos- e tomo mais um gole de um vinho caro com um gosto amargo que me dá enjoos.

Desisto de tentar explicar e com pouco equilíbrio vou para o meu quarto segurando cuidadosamente a taça cor de rosa que comprei em Las Vegas. Para ser sincera, não sinto a mínima falta da vida consumista ou dos encantamentos das “fabulosas luzes de Las Vegas”, sempre me senti sozinha lá.

Me jogo na cama e minha cabeça gira, é tudo colorido quando fecho os olhos. Sento devagar, tomo meus  comprimidos noturnos e junto de um oléo concentrado de marijuana e então tudo deixa de fazer sentido. Não durmo. Ligo o chuveiro quente e a espuma do meu cabelo tem um cheiro doce, um cheiro que lembra infância e me leva de volta ao pensamento inicial: eu estou morrendo.

Já vi muitas pessoas em seus últimos anos, semanas, dias… Essa angústia? Essa angústia sou eu. Eu cansada demais para esperar o tempo que me resta. Eu já deveria ter partido.

Por que voltei a comer? Por que sai do meu caminho? Faltava tão pouco…